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"Estais a roubar-nos o futuro"

por Mäyjo, em 19.12.18
«O meu nome é Greta Thunberg, tenho 15 anos e sou da Suécia. Falo em nome da Climate Justice Now.
 
Muitas pessoas dizem que a Suécia é apenas um país pequeno e não importa o que fazemos. Mas aprendi que nunca somos pequenos demais para fazer a diferença. E se algumas crianças puderam obter manchetes em todo o mundo apenas por não irem à escola, imaginem o que todos nós poderíamos fazer juntos se realmente quiséssemos.
 
Mas para fazer isso, temos que falar claramente, não importa o quão desconfortável isso possa ser. Vós só falais de crescimento económico verde eterno porque estais com muito medo de ser impopulares. Vós só falais em seguir em frente com as mesmas más ideias que nos meteram nesta confusão, mesmo quando a única coisa sensata a fazer é puxar o travão de emergência. Vós não tendes maturidade suficiente para assumir como as coisas estão realmente. Até esse fardo vós deixais para nós, crianças.
 
Mas eu não me importo de ser popular ou não. Eu preocupo-me com a justiça climática e com o planeta vivo. A nossa civilização está a ser sacrificada para que um número muito reduzido de pessoas continuem a ganhar enormes quantias de dinheiro. A nossa biosfera está a ser sacrificada para que pessoas ricas em países como o meu possam viver em luxo. São os sofrimentos de muitos que pagam pelos luxos de poucos.
 
No ano de 2078, celebrarei meu 75º aniversário. Se eu tiver filhos, talvez eles passem esse dia comigo. Talvez eles me perguntem sobre vós. Talvez eles perguntem por que vós não fizestes nada enquanto ainda havia tempo para agir. Vós dizeis que amais vossos filhos acima de tudo, e mesmo assim estais a roubar o futuro deles diante de seus próprios olhos.
 
Até vós começardes a focar-vos no que precisa ser feito e não no que é politicamente possível, não há esperança. Não podemos resolver uma crise sem tratá-la como uma crise. Precisamos de manter os combustíveis fósseis no solo e precisamos de nos concentrar na equidade. E se as soluções dentro do sistema são impossíveis de encontrar, então talvez devêssemos mudar o sistema.

 

Nós não viemos aqui para pedir aos líderes mundiais que se importem. Vós ignoraste-nos no passado e voltareis a ignorar-nos. Já não há desculpas e estamos a ficar sem tempo. Nós viemos aqui para que fiqueis a saber que a mudança está a chegar, quer gosteis ou não. O poder real pertence ao povo.  Obrigada. »


Este foi o discurso lúcido e corajoso da jovem  Greta Thunberg na COP 24, em Katwice, Polónia, no dia 12 de dezembro de 2018.  (tradução livre)

Nada a acrescentar!
 

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publicado às 08:47

Exposição ambiental a tóxicos pode desencadear demência

por Mäyjo, em 02.03.18

Pode haver uma relação directa entre a exposição a produtos tóxicos e o desenvolvimento de estados de demência como a doença de Alzheimer. O alerta é lançado por uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro, que liderou um estudo pioneiro agora divulgado.

 

Segundo os responsáveis da investigação, quanto maior for a presença de elementos potencialmente tóxicos no organismo pior será o desempenho cognitivo. Realizado com um grupo de idosos de Estarreja, o trabalho da UA vai mais longe: os participantes com demência foram mesmo os que tinham no organismo valores mais elevados de alguns metais, como o alumínio e o cádmio.

Coordenado pelas investigadoras Marina Cabral Pinto e Paula Marinho Reis, da unidade de investigação Geobiociências, Geoengenharias e Geotecnologias (GeoBioTec) da UA, a investigação pretendeu esclarecer o nível de impacto que a exposição ambiental a elementos potencialmente tóxicos tem no desempenho cognitivo. Para tal, foi escolhido um grupo de mais de 100 adultos e idosos, com uma idade superior a 55 anos, e residentes permanentes em Estarreja, uma cidade inserida numa área industrializada.

Alumínio, cádmio, cobre, chumbo, zinco e mercúrio foram alguns dos elementos químicos que as investigadoras analisaram na urina, sangue e cabelo dos cem participantes no estudo e aos quais foram realizados vários testes cognitivos.

Os resultados revelaram que os participantes com pior desempenho cognitivo, equivalente a um estado de demência, apresentavam valores mais elevados de alguns elementos potencialmente tóxicos. “Para já esta é uma relação que resulta apenas dos modelos estatísticos obtidos e é necessário garantir que não se trata de um resultado fortuito”, afirmou a investigadora Marina Cabral Pinto.

O que provoca então a demência? Apesar do vasto investimento científico e dos muitos progressos conseguidos pela comunidade científica, a demência continua sem ter um tratamento curativo e as causas deste declínio cognitivo não são totalmente conhecidas. Factores como a idade e aa exposição ambiental a elementos potencialmente tóxicos “têm sido sugeridos como estando associados ao aumento de risco de desenvolvimento de demência e da doença de Alzheimer durante o envelhecimento”.

Para já este estudo vai avançar para novas paragens, com a equipa de investigação a estabelecer uma parceria com a Universidade de Cabo Verde.  “A realização do projecto em Cabo Verde vai ser muito importante, pois temos ilhas com maior potencial de exposição, como a ilha de Santiago, mas temos outras em que não há fontes de poluição conhecidas, como a ilha do Maio, por exemplo”, antecipa Marina Cabral Pinto. Será “muito interessante, verificar se há ou não diferenças no desempenho cognitivo dos idosos em ambientes tão diferentes”.

“Acreditamos que uma nova plataforma de dados que combine dados geoquímicos, epidemiológicos, sociológicos, neurológicos e neuropsicológicos possa melhorar a nossa compreensão da relação entre a exposição ambiental e os factores promotores do declínio cognitivo”, concluem as investigadoras.

Foto: via Creative Commons 

Fonte: Greensavers

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publicado às 06:51

Ambientalitas organizam limpeza de praia no próximo fim de semana

por Mäyjo, em 05.12.17

No próximo dia 9 de Dezembro, a associação ambientalista Quercus irá organizar uma limpeza na Praia do Inatel em Albufeira com a colaboração da Straw Patrol e a Pata Ativa – Associação de Defesa dos Animais e da Natureza de Albufeira. Proteger, conservar e respeitar a vida marinha e as nossas praias são as palavras chave desta iniciativa, que decorrerá entre as 11 e as 13 horas.

 

O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (ODS 14) das Nações Unidas visa proteger a vida marinha e tem como propósito “prevenir e reduzir significativamente a poluição marítima de todos os tipos, especialmente a que advém de actividades terrestres, incluindo detritos marinhos e a poluição por nutrientes, até 2025.”

 

Via Green Savers

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publicado às 06:15

PILHAS A MAIS AÍ POR CASA? ELAS PODEM AJUDAR A EQUIPAR O IPO

por Mäyjo, em 23.11.17

Tem pilhas e baterias usadas em casa? A Ecopilhas tem o destino adequado para que possa contribuir para preservar o ambiente ao mesmo tempo que ajuda o Instituto Português de Oncologia (IPO). Pelo 9º ano consecutivo, a Ecopilhas, entidade que desde 2002 tem como missão a gestão de um sistema integrado de pilhas e acumuladores usados, lança um peditório nacional de recolha deste tipo de resíduos, que decorrerá até 31 de Dezembro.

 

Para contribuir para esta campanha de solidariedade, basta colocar as pilhas e baterias que já não funcionam e que foram anteriormente usadas em brinquedos, telecomandos, computadores portáteis, telemóveis, relógios entre outros aparelhos, num dos mais de 20.000 Pilhões existentes em todo o País ou junto dos parceiros aderentes da campanha: lojas da MultiOpticas, lojas do Meu Super ou sucursais do Millennium BCP.

 O apresentador José Carlos Malato junta-se uma vez mais a esta iniciativa, sendo o rosto da campanha de sensibilização para a recolha de pilhas e baterias usadas a favor do IPO de Lisboa. É com muito gosto que nos últimos anos me tenho associado a esta campanha da Ecopilhas que, para além do cariz solidário, permite contribuir para um ambiente melhor”, refere José Carlos Malato, embaixador da campanha.

Ao entregar as pilhas e baterias usadas, estará a contribuir para ajudar o IPO de Lisboa na aquisição de um equipamento cirúrgico para o bloco operatório.

Eurico Cordeiro, Diretor Geral da Ecopilhas, deixa um apelo à participação massiva no 9º Peditório: “Basta um pequeno gesto para fazer a diferença. Por isso, contamos com a ajuda de todos para contribuir para o sucesso desta campanha e aumentar a reciclagem de pilhas e baterias, muitas das quais contêm metais pesados, muito perigosos para o ambiente, pelo que é fundamental dar-lhes um destino adequado”.

Desde 2009, ano em que teve início o primeiro Peditório de Pilhas e Baterias a favor da luta contra o cancro, a Ecopilhas recolheu mais de 32,3 milhões de Pilhas e Baterias usadas, o que tem permitido a doação anual de um aparelho de tratamento ou diagnóstico ao IPO de Lisboa.

Foto: Anna Almeida / flickr 

 

Via: Greensavers

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publicado às 07:49

Tempestade poderá afetar 37 milhões de pessoas

por Mäyjo, em 08.09.17

Irma

O Irma tornou-se um dos furacões mais fortes do Atlântico já registados. Os ventos monstruosos da tempestade da categoria 5 atingem velocidades na ordem dos 295 km / h (185 mph).

 

De acordo com Phil Klotzbach, especialista em furacões da Colorado State University, citado pelo site Live Science, só quatro outras tempestades do Atlântico foram conhecidas por alcançar tal força: a “Labor Day Storm”, em 1935; Allen, em 1980; Gilbert, em 1988; e Wilma em 2005. A lista é pequena porque, para atingir essa intensidade, “tudo tem que ser perfeito”, disse Brian McNoldy, investigador da Universidade de Miami.

Entretanto, perante a força do Irma, e a trajetória esperada, as Nações Unidas estimam que cerca de 37 milhões de pessoas sejam afectadas por este furacão de categoria máxima.

Uma equipa humanitária já foi enviada para a ilha de Barbados para trabalhar com a Agência Caribenha de Gestão de Desastres e Emergências (CDEMA), anunciou o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric. Outras equipas estão de prevenção para serem enviadas para o terreno.

No Haiti, equipas humanitárias também já estão na região norte da ilha, que, calcula-se, será atingida mais severamente. Além disso, vários membros dos “capacetes azuis” da missão de paz no país, conhecida como MINUSTAH, estão a postos para ajudar a Polícia Nacional do Haiti.

“Embora ainda seja cedo para conhecer o impacto total que a Irma terá na região, as principais preocupações do centro da UNICEF dizem respeito ao fornecimento de água potável e alimentos e a saúde e protecção de crianças e adolescentes”, disse a agência da ONU em comunicado. O escritório da UNICEF na região activou seus protocolos de emergência e está a trabalhar com funcionários do governo em Antígua e Barbuda, Dominica, St. Maarten, São Cristóvão e Nevis, as Ilhas Virgens, bem como a República Dominicana, Haiti e Cuba.
 
Foto: Creative Commons

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publicado às 09:26

As inundações do furacão Harvey

por Mäyjo, em 07.09.17

As inundações devastadoras provocadas pelo furacão Harvey em Houston, Texas, EUA, são visiveis nas imagens em baixo.

Com estas imagens antes e depois, pode-se ver as inundações que ocorreram no rio San Jacinto, a leste da cidade. Ao longo de um período de quatro dias na semana passada, muitas áreas de Houston receberam mais de 1.000 mm de chuva, causando inundações torrenciais que inundaram centenas de milhares de lares, deslocaram mais de 30 mil pessoas e obrigaram a mais de 17 mil resgates.

 

Houston_1_-_2.jpg

Foto de dia 13 / 05 / 2017

Houston_2_-_LR.jpg

Foto de dia 30 / 08 / 2017

 

 

 

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publicado às 06:13

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS AMEAÇAM AVANÇOS DOS ÚLTIMOS 50 ANOS NA SAÚDE MUNDIAL

por Mäyjo, em 24.07.17

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As alterações climáticas ameaçam destruir os progressos feitos ao nível da saúde mundial nos últimos 50 anos. A conclusão é de um novo estudo da Lancet e da London’s Global University (UCL), apoiado pela Organização Mundial da Saúde.

 

“Encaramos as alterações climáticas como um grande problema de saúde e esta situação é frequentemente negligenciada pela esfera política”, afirma Anthony Costello, director do Instituto de Saúde Global da UCL e vice-presidente da comissão de especialistas que elaborou o estudo, cita o Guardian.

A análise conclui ainda que os benefícios para a saúde resultantes da diminuição do uso de combustíveis fósseis são tão grandes que travar o aquecimento global é também uma grande oportunidade para melhorar a saúde da população mundial do século XXI.

“A nossa trajectória corrente, que aponta para 4°C de aquecimento, é algo que queremos evitar e que pode ter potenciais efeitos catastróficos para a saúde e sobrevivência humana e que poderá aniquilar todos os esforços feitos no último meio século para melhorar a saúde mundial”, indica o investigador.

A investigação, bastante abrangente, estabelece os riscos directos para a saúde, como ondas de calor, secas e inundações, mas também os riscos indiretos, decorrentes da poluição atmosférica, propagação de doenças, fome e doenças mentais.

Entre as principais recomendações da comissão responsável pelo estudo está o abandono da energia fóssil, especialmente do carvão, responsável por milhões de mortes anuais prematuras através da poluição atmosférica. O documento indica ainda que a principal barreira à transição para uma energia de baixo carbono – e respectivos benefícios inerentes para a saúde – são os interesses políticos e não a falta de financiamento ou tecnologia.

Foto: aaardvaark / Creative Commons  

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publicado às 12:04

“O GOVERNO ESTÁ A CONTRIBUIR PARA O AGRAVAMENTO DA DESFLORESTAÇÃO”, ALERTA QUERCUS

por Mäyjo, em 20.07.17

floresta 1

A política do actual governo em apostar em centrais de biomassa florestal só irá agravar a desflorestação no país e custos acrescidos para os contribuintes, alertam a Quercus, Associação Nacional de Conservação da Natureza e a Acréscimo, Associação de Promoção ao Investimento Florestal. E citam números que sustentam a tese:

 

“A disponibilidade potencial de biomassa de origem florestal, seja de sobrantes de operações de silvicultura (limpezas, desramações e desbastes) ou de exploração florestal (abate de arvoredo), seja de resíduos das indústrias de transformação de material lenhoso está estimada em 2,2 milhões de toneladas por ano.”  Ora, em 2013, o “consumo efectivo de biomassa florestal para energia já se situava acima dos 3 milhões de toneladas anuais”. Ou seja, esse saldo era já deficitário antes da aprovação de mais estas oito centrais que, inevitavelmente, provocarão um impacto negativo ao nível da desflorestação. Até porque se tratam de investimentos privados, mas com remuneração garantida por parte de Estado, “com custos a assumir pelas futuras gerações”.

Para a Quercus, a medida é ainda mais incompreensível quando se percebe que “a balança comercial de produtos de origem florestal é já hoje consideravelmente negativa. De acordo com o INE, através das últimas Contas Económicas da Silvicultura publicadas, em 2016 o país despendeu cerca de 110 milhões de euros na importação de madeira em bruto, essencialmente para as indústrias da madeira”.

A associação salienta ainda que, neste processo de licenciamento, não foi “efectuada qualquer avaliação de impacto ambiental, seja ao nível dos solos, dos recursos hídricos, da fauna e da flora, incluindo sobre o arvoredo. Esta é uma lacuna que contribui, propositadamente ou não, para uma subavaliação do impacto ambiental associado às centrais termoelétricas a biomassa florestal “residual”, sobretudo para as desligadas de circuitos silvo-industrias de madeira serrada, de madeira triturada e de cortiça.”

As duas associações salientam também existiram várias alternativas para a gestão florestal, com a consequente diminuição do risco de propagação dos incêndios rurais e “entre elas está a que envolve a utilização de sobrantes como fertilizante orgânico, designadamente pelo seu estilhaçamento e espalhamento nos solos”. O fogo controlado, em locais apropriados, “é ainda uma alternativa com menores custos associados face às rendas garantidas às centrais termoelétricas a biomassa florestal ‘residual’”. Ou então a “aposta em soluções de valorização da biomassa florestal de dimensão municipal, ou seja, de curta distância, essencialmente focada na produção de energia calorífica e destinada, prioritariamente, a equipamentos públicos e sociais”. Tudo menos as centrais agora aprovadas…

Foto: Creative Commons

 

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publicado às 06:27

REN PLANTA 400 ÁRVORES POR DIA PARA COMBATER INCÊNDIOS

por Mäyjo, em 19.07.17

REN

João Gaspar é o responsável pela área de Servidões e Património da Rede Eléctrica Nacional (REN), por isso tem ao seu cuidado as faixas de terreno por onde passam os cabos de alta tensão que alimentam o país. Desde 2010 que a REN tem em marcha um plano de reflorestação desses corredores com espécies autóctones, que desempenham um papel muito importante no combate aos incêndios, geram receitas para os proprietários dos terrenos e promovem a biodiversidade. Fomos tentar perceber melhor como funciona o plano.

 

Entre 2010-2016 a REN foi responsável pela plantação de 745.000 árvores de floresta autóctone, cerca de 400 árvores a cada dia nos últimos seis anos. Qual o balanço que faz deste projecto de reflorestação?

Fazemos um balanço muito positivo. Em 2010, quando iniciámos, estas acções foram integradas num novo paradigma que alia a promoção de um ecossistema sustentável à valorização económica das faixas de servidão, numa área superior a 1 450 hectares, através da plantação das árvores, que são essenciais no combate aos incêndios (quando comparadas com a vegetação anteriormente existente), na criação e preservação de biodiversidade e uma fonte de rendimento para os proprietários dos terrenos. São 7 700 proprietários, que podem agora a tirar rendimentos de terrenos que habitualmente estavam ao abandono, e centenas de comunidades locais satisfeitas com o aumento da biodiversidade.

Só no ano de 2016, foram plantadas 107.353 árvores numa área de 395 hectares. Qual o investimento feito pela REN nesta iniciativa? 

A REN tem feito nos últimos anos um investimento significativo na preservação ambiental. Porém, mais do que o investimento feito pela empresa, o mais importante será o efeito multiplicador que o mesmo terá na prevenção de incêndios e na criação de rendimentos para os proprietários, que será algo duradouro e constante no tempo. 

Quais as principais regiões intervencionadas? Que espécies foram plantadas nestes locais?

Em 2016 as principais regiões onde intervencionamos foi na zona centro (distrito de Aveiro), nomeadamente nos municípios de Arouca, Vale de Cambra, Oliveira de Azeméis (municípios muito fustigados pelos incêndios florestais de 2016) e Anadia, assim como na região do Minho, nomeadamente em Vieira do Minho e Fafe. As espécies plantadas fazem parte da floresta autóctone portuguesa, nomeadamente pinheiro manso, medronheiro, sobreiro, castanheiro e carvalho. Analisando o período de 2010 a 2016 podemos afirmar que temos intervencionado em todo o país, desde o Minho ao Algarve.

No âmbito do Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios, em 2016 foram ainda intervencionados cerca de 4600 hectares de faixas de servidão. 

O Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios, foi criado na sequência dos grandes incêndios de 2003 e 2005 e através do qual a nossa rede eléctrica passou a integrar as Redes de Faixas de Gestão de Combustível, locais onde se procede à modificação e à remoção total ou parcial da biomassa presente. O papel desempenhado por estes corredores na defesa da floresta contra os incêndios, assim como no próprio apoio ao combate aos incêndios é importantíssimo pois dificulta o avanço das chamas e ao mesmo tempo facilita o trabalho dos bombeiros. Tal razão tem levado a que nos últimos anos temos vindo a adaptar os nossos corredores ao propósito da defesa da floresta contra os incêndios. Aliás, estamos muito próximos dos Bombeiros e temos várias iniciativas de parceria. Também aderimos ao Movimento ECO – Empresas Contra os Fogos, em 2012, um programa que tem como objectivo potenciar a prevenção dos incêndios florestais e sensibilizar a opinião pública para os comportamentos de risco.

Tem havido uma clara aproximação da REN às comunidades que vivem perto destes locais tão ricos em biodiversidade. Como tem acontecido este encontro? Qual o feedback da população local?

Esta aproximação é uma consequência natural da nossa estratégia de sustentabilidade que tem como um dos seus três pilares o envolvimento e satisfação das partes interessadas da empresa, sendo as comunidades locais uma delas. Assim, o nosso trabalho passa por integrar o seu bem-estar, as suas preocupações e resposta às necessidades das mesmas, na nossa estratégia. Na prática, isto significa que sempre que projectámos uma nova linha levamos muito a sério os contactos com as comunidades locais, os proprietários dos terrenos, as preocupações e bem-estar de ambos, bem como a biodiversidade existente na região.

O feedback tem sido muito positivo, a começar pelo impacto visual trazido pela reflorestação, que está agora mais valorizada pela plantação de árvores autóctones compatíveis com a presença das linhas. Os próprios cidadãos percebem também que esta reflorestação aumenta a biodiversidade do coberto vegetal, diminui os riscos de incêndio, rentabiliza os solos e permite o regresso dos proprietários às suas propriedades. Tem igualmente um carácter experimental, ou seja, pretende provar que existe espaço para outras espécies, nomeadamente as autóctones e que é possível extrair rendimento das mesmas.

Incentivar os proprietários a adoptar abordagens mais activas na gestão das faixas de servidão tem sido igualmente uma aposta da empresa. Que acções estão a ser desenvolvidas nesse sentido?

As acções de reconversão vêm garantir uma melhor gestão destas áreas e a criação de valor económico para os proprietários que têm agora a possibilidade de obterem rendimentos dos seus terrenos, que usualmente eram deixados ao abandono. Os proprietários passam assim a ser parte activa na gestão destas áreas, criando um impacto positivo na conservação ambiental e protecção da biodiversidade.

REN 2

Há apoios locais para a implementação real destas iniciativas? Com que parceiros contam para pôr estes projectos em prática?

Ainda antes de avançarmos com as reflorestações procurámos rodear-nos de quem nos pode ajudar. Os nossos parceiros são a Quercus, na selecção das espécies autóctones e na revisão dos projectos, antes ainda da sua submissão ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). E também a Cooperativa Portuguesa do Medronho, para a dinamização do medronheiro como uma das espécies autóctones a promover junto dos proprietários de terrenos atravessados pelos corredores das linhas de transporte de energia. Após a aprovação dos projectos por parte do ICNF, os nossos parceiros na implementação destas acções são prestadores de serviços do sector florestal que utilizam mão-de-obra local nas acções de reflorestação, contribuindo assim para a criação de emprego local.

O pinheiro-manso tem sido a espécie eleita em cerca de 70% dos casos. Porquê a escolha desta árvore? E que outras espécies surgem como alternativas sustentáveis?

Efectivamente o pinheiro-manso tem sido a espécie florestal autóctone mais escolhida pelos proprietários dos terrenos, o que se justifica, porque é uma espécie florestal que permite múltiplas utilizações, das quais a produção de pinhão é a mais valorizada, combinando o elevado valor económico com o da protecção ambiental e paisagística. Saliento, no entanto, que nos últimos dois anos temos assistido a um aumento significativo da área plantada com carvalhos e castanheiros, facto que se encontra relacionado com o local das (re)arborizações, as quais se desenvolveram, na sua grande maioria, no Minho e em Trás-os-Montes, e com uma maior pró-actividade da REN no conselho das espécies a utilizar. Uma das espécies que prevemos venha a aumentar significativamente a sua área é o medronheiro, daí o estabelecimento de uma parceria com a Cooperativa Portuguesa do Medronho, uma vez que sendo um arbusto é perfeitamente compatível com a presença das linhas de transporte de electricidade,  e é uma espécie com um grande interesse económico, quer na produção da aguardente de medronho, quer em múltiplas outras utilizações na indústria agro-alimentar

Que acções ligadas à reflorestação e biodiversidade estão a ser postas em prática pela REN actualmente

Sempre que finalizamos um projecto fazemos a reflorestação da área de servidão. Simbolicamente, começamos estas arborizações com iniciativas em parceria com as autarquias e escolas locais. Em 2017 já realizámos duas acções assim, com cerca de 200 alunos de escolas de Gouveia e da Trofa. Até final do ano pretendemos realizar pelo menos mais uma acção deste género.

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publicado às 06:24

AGRICULTORES IRLANDESES CRIAM SUPER VACAS AMIGAS DO AMBIENTE

por Mäyjo, em 13.07.17

vacas pastar petro mar

Será que vacas comedoras de algas poderão ser a solução para os problemas de poluição causados pela criação de gado? Recorde-se que cada vaca emite entre 70 e 120 kg de metano por ano, e que o metano é, a seguir ao dióxido de carbono, o maior responsável pelo efeito de estufa. Aliás, quando comparados os dois gazes o metano é ainda pior, mas felizmente existe em menor quantidade. E é por isso que o gado nunca poderá ser a resposta para o aumento da população mundial.

 

Mas a Irlanda está decidida em provar que a criação de gado, “baseada num modelo de erva é sustentável” como refere a Associação de Agricultores daquele país. Basta juntar algumas algas marinhas.

Thomas Cooney, da associação, pediu aos cientistas irlandeses “para investigar imediatamente o potencial desta pesquisa no contexto agrícola da Irlanda, também no que se refere à produção das algas marinhas.”

 Afinal, enquanto ilha, esse potencial será grande. E o mesmo se poderia dizer de outro país “à beira mar plantado”, que, não sendo ilha, tem também uma longa costa.

A pesquisa a que Thomas Cooney se refere é um estudo da Universidade James Cook, Austrália, que experimentou com vacas e ovelhas e em todas verificou essa redução na produção de metano, incluindo 2% de algas na dieta. No caso das ovelhas de 50 a 70% de redução mas, no caso das vacas podia chegar a aos 99%, com uma alga vermelha chamada Asparagopsis Taxiformis.

A Universidade de Cook pegou no tema ao abriga da pesquisa científica da Comenwealth e a pedido de dois investigadores canadianos, que também só pegaram no assunto alertados por um agricultor daquele país, que verificou que algumas das suas vacas se alimentavam com algas na costa e que essas vacas eram mais saudáveis do que as outras, e tinham ciclos de reprodução maiores. Os dois investigadores canadianos referiam já outra consequência: a redução nas emissões de metanol.  

A ser verdade, a luta pelo meio ambiente abre aqui mais uma enorme oportunidade económica.

 

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publicado às 06:20


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